quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Retinopatia Diabética (RD)

A retinopatia diabética (RD) constitui uma das principais complicações do diabetes em consequência das alterações microvasculares provocadas, e é a causa mais frequente de perda visual na faixa etária dos 20 aos 74 anos. Acredita-se que seja responsável por quase 12% do total de casos de cegueira legal (incapacidade para o trabalho) ao ano no mundo. No Brasil, estima-se que 9% das causas de cegueira irreversível sejam decorrentes da retinopatia diabética e de suas complicações.
A prevalência da retinopatia diabética aumenta com a duração da doença. Em geral, não se observam alterações oftalmológicas nos primeiros cinco anos de doença ou durante a puberdade. Em pacientes diagnosticados antes dos 30 anos de idade, a incidência de RD após 10 anos de doença é de 50%, podendo chegar a 90% após 30 anos de diabetes. Acredita-se que em algum momento da vida, metade dos pacientes diabéticos desenvolverá a retinopatia e cerca de um terço terá edema macular. Por apresentar um maior tempo de hiperglicemia, os portadores de diabetes tipo 1 estão mais suscetíveis a desenvolver o tipo mais grave de retinopatia diabética.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento e progressão da retinopatia diabética são o tempo de doença (DM), controle glicêmico inadequado, dislipidemia, uso de insulina, hipertensão arterial sistêmica, gravidez, presença de patologia renal e anemia. Esses fatores devem ser controlados para que não ocorra perda visual definitiva. Um paciente com muitos anos de doença pode não apresentar retinopatia, caso controle o diabetes corretamente.
A maior parte dos pacientes com retinopatia é assintomática por algum tempo e os sintomas visuais, surgem, em geral, tardiamente. Por este motivo é recomendado que todo paciente diabético seja examinado (exame de fundo de olho) por um médico oftalmologista, à época do diagnóstico do diabetes, e anualmente.
É importante que todo paciente diabético tenha informações adequadas sobre a doença e suas potenciais complicações. Buscar cuidados multidisciplinares e seguir as orientações propostas pelos profissionais de saúde são maneiras de garantir um futuro pleno e com qualidade de vida. A avaliação oftalmológica anual é parte importante destes cuidados e fator fundamental para que a visão seja preservada.
Texto: Lívia Carla de Souza Nassar Bianchi, médica oftalmologista, especialista em retina, vítreo e visão subnormal, atua no Departamento de Retina do Centro de Referência em Oftalmologia (CEROF) da Universidade Federal de Goiás, ex-fellow e membro do corpo clínico do Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos (CBCO)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Espaço compartilhar - Fé, esperança e informação

Na década de 80 do século passado, enquanto a juventude brasileira pré-internet sonhava ao som de Cazuza, Renato Russo e outros ídolos do rock nacional e o cowboy Ronald Reagan, assombrosamente alçado ao cargo de presidente da maior potência bélica do planeta, despejava suas bombas sobre as cidades de Trípoli e Bengazi, na Líbia, Edith Silva Barbosa Otto chorava a perda de sua irmã Ivanildes, vítima de sérias complicações causadas pelo diabetes.
Quem já experimentou a dor de perder um ente querido sabe bem a carga de sofrimento e de ensinamentos contida nessa experiência. Antes do sepultamento da irmã querida, Edith prometeu a Deus, à alma da falecida e a si mesmo que não seria mais uma vítima passiva da doença, e foi a luta. Os sintomas já indicavam e a confirmação do diagnóstico caiu como uma bomba norte-americana na vida de Edith ― Diabetes mellitus tipo II. “Quando recebi o diagnóstico minha reação foi de muito medo, verdadeiro pânico, não conhecia nada sobre a doença. Mas Deus, pai generoso, apontou o caminho que eu tinha a seguir”, relembra com uma fé  tocante.
A trilha seguida por Edith a partir daí foi a acertada busca por tratamento. Inicialmente, consultou nutricionista e psicóloga. No momento em que recebeu o resultado positivo, Edith pesava por volta de 85 quilos. Com determinação, disciplina e lembrando-se da promessa feita à irmã, em cerca de três meses perdeu aproximadamente 20 quilos somente com dieta e caminhadas.
Novo bombardeio na vida de Edith, dessa vez com bombas de preconceito e desinformação. “À época estava surgindo os primeiros casos de Aids na imprensa. A rápida perda de peso fez com que em minha comunidade muitas pessoas questionassem se eu estava com a doença”, recorda. Superado mais esse obstáculo, Edith hoje mantém o peso por volta dos 70 quilos. "Naquele tempo, eu fazia o controle somente com dieta e atividades físicas. Hoje lanço mão de dieta, hidroginástica e medicamentos". Além disso, visita o médico de seis em seis meses, ou quando a necessidade bate à porta. "Consulto endocrinologista, oftalmologista, angiologista, odontóloga, dermatologista e nutricionista", enumera.
Solidariedade
Sábia em extrair ensinamentos do sofrimento, Edith, logo após a confirmação da doença, começou a sua militância na Associação Goiana dos Diabéticos (AGD), luta que já dura aproximadamente três décadas. Hoje, aos 67 anos e com disposição, Edith preside a entidade e tenta fazer da informação a maior e mais eficiente arma contra as complicações da doença. “Na AGD somos uma família. Eu agradeço a Deus, pois por meio do diabetes fiz vários e valiosos amigos”. Quando perguntada sobre a maior perda imposta pela doença, Edith emociona-se. “A maior perda foi a morte de meus entes queridos e de alguns associados da AGD. Mas essas perdas me deram mais força para continuar a lutar e ajudar aqueles que mais precisam”, assinala com a determinação presente naqueles que têm confiança. E é com essa mesma determinação que Edith repete o seu mantra particular. “ Se o diabético faz o controle diretinho tem uma vida praticamente normal, saudável. Vou morrer um dia, mas de outro motivo, não de diabetes”, avisa.
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Exercícios físicos e diabetes

Diabetes tipo I
A principal preocupação com relação à prescrição do exercício para o diabético tipo I é evitar a hipoglicemia. Isso é conseguido por meio da verificação rigorosa da glicemia antes, durante e após a atividade física, e da variação da ingestão de carboidratos e da dosagem de insulina, dependendo da intensidade e da duração do exercício e do condicionamento físico do indivíduo. Diabéticos tipo I devem, antes de ingressar na atividade física, realizar um teste de esforço físico e verificar pressão arterial, entre outros, que ajudarão no controle do exercício. Além disso, devem realizar exercícios de baixo impacto e evitar excesso de cargas para minimizar a resposta da pressão arterial.
Diabetes tipo II
O diabetes tipo II ocorrem em pacientes que apresentam vários fatores de risco, como hipertensão, colesterol elevado, obesidade e sedentarismo. A combinação de exercício e dieta pode ser suficiente para eliminar a necessidade de insulina. Como os diabéticos tipo II não apresentam as mesmas alterações da glicemia do Tipo I, os exercícios de baixa intensidade e de longa duração aumentarão os benefícios relacionados à sensibilidade à insulina. Os efeitos crônicos da prática regular de exercício físico aumentam a disposição de glicose mediada pela insulina.
Como em todos os programas de atividade física para os indivíduos sedentários, é mais importante fazer menos do que exagerar no início da atividade. O ideal é começar com um exercício leve e ir aumentando gradativamente o volume e intensidade. O exercício tem sido visto como uma parte útil do tratamento não farmacológico para manter o controle da glicemia do diabético, pois aumenta a velocidade com que a glicose deixa o sangue. Aliado à dieta, o exercício é parte fundamental no tratamento do diabetes tipo II, para perda de peso e aumento da sensibilidade à insulina.
Importante: antes de iniciar qualquer atividade física, é necessário consultar o seu médico.

Hipoglicemia no Diabetes Mellitus

Graduada em Farmácia-Bioquímica Pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP), com Qualificação em Educação em Diabetes pela ADJ/SBD/IDF e finalizando Pós-Graduação em Educação em Diabetes pela UNIP, a vice-coordenadora da Comissão Assessora de Farmácia do CRF-SP, Seccional Ribeirão Preto, Graziela Coelho Amato Spadão fala das causas e sintomas da Hipoglicemia, a complicação aguda mais frequente no Diabetes Mellitus. “Cerca de 10 a 25% das pessoas insulinizadas apresentam em média dois episódios por semana”, assinala.
Causas
“No Diabetes, as Hipoglicemias geralmente são ocasionadas por falta de refeições nos horários corretos ou a diminuição da ingestão alimentar, por exercícios físicos excessivos, ou por doses elevadas de insulina e/ou medicamentos (hipoglicemiantes orais)”.
Sintomas
“Os sintomas clássicos de Hipoglicemia são: suor em excesso, sonolência, fraqueza, taquicardia (palpitações), tremores, visão dupla ou turva, fome súbita, confusão mental, distúrbio da fala, alteração de humor. O valor da glicemia a partir do qual esses sintomas aparecem costuma ser diferente de paciente para paciente, dependendo inclusive da frequência dos episódios hipoglicêmicos. Se o nível de glicemia chegar a valores muito baixos, a pessoa pode ficar semi-consciente, comporta-se como um embriagado, ou inconsciente, podendo chegar ao coma hipoglicêmico. Nesta situação, os valores de glicose no sangue estão tão baixos que são insuficientes para o cérebro continuar funcionando adequadamente”.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Espaço compartilhar

Venha compartilhar a sua história com a gente. Basta responder as perguntas abaixo e enviá-las junto com foto para o email agdiabeticos@gmail.com Nós produziremos um texto, enviaremos para que vc avalie e somente depois de aprovado publicaremos no blog. Compartilhe seus medos, conquistas e esperanças!

Nome completo:
Idade:
Ocupação atual:
Portadora de qual tipo de diabetes?
Quando descobriu que tinha a doença?
Qual foi a reação?
Quais as formas adotadas de controle?
Qual a periodicidade que visita o médico?
Consulta quais especialistas?
Qual a parte mais difícil dos cuidados adotados?
Já sofreu alguma sequela da doença por descuido no controle? Qual(is)?
Qual a maior perda e o maior ensinamento imposto pela doença?

Espaço compartilhar - Ensinamentos nas adversidades

Há aproximadamente 15 anos, o administrador de empresas aposentado José Carlos Pereira, ao realizar exames periódicos a pedido da empresa onde atuava, foi surpreendido com o diagnóstico que apontava para Diabetes Mellitus tipo II. O simpático e desembaraçado Kau, como é conhecido por familiares e amigos, sentiu o chão fender sob os seus pés.  “Foi um grande susto, a taxa de açúcar estava altíssima e eu não percebia os sintomas, pois eu era muito exigido profissionalmente”, recorda. Kau emagreceu, foi vitimado por dores nas pernas, sonolência, a visão turvou.  “Não imaginava que o motivo era o Diabetes”, declara. Internado às pressas, Kau recebeu doses de insulina, ficou em observação no hospital, de onde saiu com muitas orientações a serem adotadas.
Nascido em Recife, Pernambuco, palco de vários movimentos revoltosos como Guerra dos Mascates, Cabanada e Revolução Praieira, Kau venceu a batalha pela sobrevivência começando a trabalhar ainda criança, aos 13 anos de idade, como auxiliar de serviço social em um hospital no interior de São Paulo. Nos últimos 15 anos, o combatente nordestino desenvolve outra batalha: a sua guerra particular contra o Diabetes. “Usei medicamentos via oral por muitos anos. Atualmente, verifico a taxa de açúcar no sangue de três a quatro vezes ao dia”, esclarece. Em julho, a médica endocrinologista inseriu a insulina injetável no tratamento. “Ainda estou em fase de adaptação e a dose já foi aumentada por dois vezes”. As visitas ao hospital tornaram-se menos espaçadas.  “Vou ao médico de 15 em 15 dias ou quando necessário. Consulto Endocrinologista, Cardiologista , Oftalmologista e algumas vezes fui à Nutricionista. Recentemente tive acompanhamento de Urologista”, detalha.
No seu combate, Kau lamenta algumas perdas.  “É complicado colocar em prática a dieta ideal indicada pela Nutricionista, mudar hábitos, limitar a ingestão de diversos alimentos, usar adoçantes, não comer o  pãozinho quente, se sentir controlado, limitado”. Outro problema apontado por ele é a indisponibilidade de alimentos direcionados a diabéticos em algumas cidades e o alto custo desses produtos. “Alguns passeios e viagens ficam comprometidos”, resume.
Mas a experiência de viver com a doença fez Kau aprender a extrair ensinamentos das adversidades. “Precisamos, dentro do possível, evitar os atropelos da vida moderna, o trânsito intenso das grandes cidades, rotinas estressantes e procurar consumir de forma saudável os alimentos durante toda a vida”, conclui, com os olhos cravados no horizonte.
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Para oferecer mais aos seus associados, a Associação Goiana dos Diabéticos (AGD) precisa de voluntários, necessita de sua ajuda, precisa de você. Doe um pouco de seu tempo a quem tanto precisa. Saiba como ligando (62) 3942 8946 ou enviando um email para: agdiabeticos@gmail.com

Doença periodontal e diabetes

Estudos mais recentes mostram que o tratamento periodontal pode auxiliar no controle glicêmico de pacientes com diabete mellitus (DM). Do mesmo modo o controle da diabete favorece a resposta ao tratamento periodontal e o restabelecimento da saúde bucal. Os cuidados básicos para a saúde bucal dos diabéticos envolvem uma atuação preventiva, que visa o controle de placa e, assim, possa evitar ou reduzir a severidade da doença periodontal. A condição glicêmica do paciente pode não permitir, temporariamente, que procedimentos invasivos, como extrações e cirurgias periodontais, sejam feitos. O tratamento profilático local para reduzir a contagem de bactérias e reduzir a inflamação pode e deve ser feito. A higiene dentária deve ser específica para remover placa e outros indutos da região interdentária e intrasulcular. É recomendado o método de escovação em que as cerdas das escovas são direcionadas para a região próxima à gengiva e ativada em movimentos vibratórios, conhecido como Técnica de Bass. As escovas devem ser de cabeça pequena e de cerdas macias. O uso de fio dental diário é essencial para a manutenção da saúde gengival, assim como para o tratamento da doença periodontal. Em situações temporárias que a higiene mecânica com escova e fio dental está dificultada, é indicado o uso de enxaguatórios bucais com antisséptico prescritos pelo dentista.
Texto: Enilza Maria Mendonça de Paiva, Periodontista, Professora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás (UFG)  e Coordenadora do Projeto APPA - Atendimento a Pacientes com Doença Periodontal Avançada.

Cuidados com o pé diabético

Toda pessoa portadora de diabetes, acaba por desenvolver alterações na inervação e na circulação das pernas e pés. As alterações na inervação, chamadas de neuropatias, levam à diminuição, até mesmo à abolição da sensibilidade, eliminando a defesa do paciente que passa a não sentir dor quando sofre um trauma ou desenvolve lesões. Mais de 50% dos portadores de diabetes tipo II tem neuropatia periférica e pés em risco. A perda da sensação protetora torna o diabético vulnerável aos pequenos traumas como, por exemplo: sapatos inadequados, lesões na pele por objetos perfurantes, cortantes, etc.
Dicas importantes:
- Ter um acompanhamento multidisciplinar, constante e regular entre médicos, nutricionista e podólogo;
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Praticar exercícios físicos que não acarretam lesões para os pés, como a natação;
- Manter os pés sempre limpos, secos e hidratados com as unhas cortadas retas, sem machucar os cantos e sem tirar as cutículas;
- Procurar fazer um atendimento regular com um podólogo para o corte das unhas;
- Ficar atento a sintomas de formigamento, agulhadas, queimação, dormência e fraqueza nas pernas;
- Não fazer banho de imersão ou escalda-pés, pois se estiver sem sensibilidade poderá queimar a pele;
- Usar sapatos confortáveis e macios e meias de algodão sem costuras;
- Examinar sempre o interior dos sapatos antes de calçá-los;
- Não usar lixar, lâminas, raspadores ou produtos químicos para retirar calos;
- Não andar descalço, nem mesmo dentro de casa;
- Não expor os pés muito tempo ao sol. Usar filtro solar também nos pés.

Texto: Simone M. Queiroz,  Podóloga

Adoçante para adoçar

Na hora de adoçar o cafezinho ou um suco muitas pessoas ficam na dúvida, usar o açúcar ou adoçante? Para o diabético não há incerteza, o adoçante deve ser usado. O açúcar é proibido. Segundo a nutricionista, Milena de Melo Pinto Archanjo, o pâncreas do paciente com diabetes não produz insulina suficiente para fazer com que o açúcar chegue às células que o utilizam para produzir energia. Como a substância não é utilizada pelo organismo, há um acúmulo no sangue que pode, de acordo com a nutricionista, gerar complicações. “Com o passar do tempo, o açúcar acumulado pode prejudicar a função dos olhos, rins, nervos ou coração”, explica. Segundo Milena de Melo, se o diabético não seguir uma dieta adequada, e fizer uso do açúcar, poderá vir a contrair doenças como insuficiência renal, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), retinopatia diabética, que pode levar à cegueira e, se a taxa de açúcar estiver muito elevada, ao coma. Apesar do adoçante não ser prejudicial à saúde dos diabéticos, a nutricionista alerta que é importante ter bom senso e não abusar da quantidade. A dica vale também para os não-diabéticos, exagerar no açúcar e tornar-se um obeso gera possibilidades de desenvolvimento de várias doenças, inclusive o diabetes.