Na década de 80 do século passado, enquanto a juventude brasileira pré-internet sonhava ao som de Cazuza, Renato Russo e outros ídolos do rock nacional e o cowboy Ronald Reagan, assombrosamente alçado ao cargo de presidente da maior potência bélica do planeta, despejava suas bombas sobre as cidades de Trípoli e Bengazi, na Líbia, Edith Silva Barbosa Otto chorava a perda de sua irmã Ivanildes, vítima de sérias complicações causadas pelo diabetes.
Quem já experimentou a dor de perder um ente querido sabe bem a carga de sofrimento e de ensinamentos contida nessa experiência. Antes do sepultamento da irmã querida, Edith prometeu a Deus, à alma da falecida e a si mesmo que não seria mais uma vítima passiva da doença, e foi a luta. Os sintomas já indicavam e a confirmação do diagnóstico caiu como uma bomba norte-americana na vida de Edith ― Diabetes mellitus tipo II. “Quando recebi o diagnóstico minha reação foi de muito medo, verdadeiro pânico, não conhecia nada sobre a doença. Mas Deus, pai generoso, apontou o caminho que eu tinha a seguir”, relembra com uma fé tocante.
A trilha seguida por Edith a partir daí foi a acertada busca por tratamento. Inicialmente, consultou nutricionista e psicóloga. No momento em que recebeu o resultado positivo, Edith pesava por volta de 85 quilos. Com determinação, disciplina e lembrando-se da promessa feita à irmã, em cerca de três meses perdeu aproximadamente 20 quilos somente com dieta e caminhadas.
Novo bombardeio na vida de Edith, dessa vez com bombas de preconceito e desinformação. “À época estava surgindo os primeiros casos de Aids na imprensa. A rápida perda de peso fez com que em minha comunidade muitas pessoas questionassem se eu estava com a doença”, recorda. Superado mais esse obstáculo, Edith hoje mantém o peso por volta dos 70 quilos. "Naquele tempo, eu fazia o controle somente com dieta e atividades físicas. Hoje lanço mão de dieta, hidroginástica e medicamentos". Além disso, visita o médico de seis em seis meses, ou quando a necessidade bate à porta. "Consulto endocrinologista, oftalmologista, angiologista, odontóloga, dermatologista e nutricionista", enumera.
Solidariedade
Sábia em extrair ensinamentos do sofrimento, Edith, logo após a confirmação da doença, começou a sua militância na Associação Goiana dos Diabéticos (AGD), luta que já dura aproximadamente três décadas. Hoje, aos 67 anos e com disposição, Edith preside a entidade e tenta fazer da informação a maior e mais eficiente arma contra as complicações da doença. “Na AGD somos uma família. Eu agradeço a Deus, pois por meio do diabetes fiz vários e valiosos amigos”. Quando perguntada sobre a maior perda imposta pela doença, Edith emociona-se. “A maior perda foi a morte de meus entes queridos e de alguns associados da AGD. Mas essas perdas me deram mais força para continuar a lutar e ajudar aqueles que mais precisam”, assinala com a determinação presente naqueles que têm confiança. E é com essa mesma determinação que Edith repete o seu mantra particular. “ Se o diabético faz o controle diretinho tem uma vida praticamente normal, saudável. Vou morrer um dia, mas de outro motivo, não de diabetes”, avisa.
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